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quarta-feira, 21 de julho de 2010

A hora da recuperação social em Cubatão

Marcia Rosa (PT), professora, é prefeita de Cubatão


O início da exploração comercial do pré-sal da Bacia de Santos será equiparado no futuro ao surgimento do porto organizado em Santos (1892) e ao início das atividades da Refinaria Presidente Bernardes (1955), transformando-se em novo marco do desenvolvimento econômico da Baixada Santista. No caso específico de Cubatão, ainda seremos beneficiados nos próximos anos com novos investimentos no polo industrial e com a expansão das atividades retroportuárias na região.

O momento, porém, não deixa de ser desafiador. Cubatão não pode repetir os erros do passado que permitiram o surgimento de um quadro de profunda exclusão social. Se hoje enfrentamos gravíssimos déficits em moradias e serviços públicos, é porque no passado não se cuidou do planejamento urbano durante a franca expansão industrial, nem foi garantida a empregabilidade dos cubatenses no polo fabril.

O resultado dessa omissão com a população ficou evidenciado com a elaboração do Índice de Vulnerabilidade Juvenil pela Fundação Seade, no qual Cubatão aparece como a cidade paulista onde os jovens estão mais expostos à violência urbana. O levantamento, feito com dados anteriores a 2009, deixa claro que a cidade precisa mudar urgentemente. E essa mudança já começou com as obras habitacionais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o encaminhamento do "Minha Casa, Minha Vida" e com as providências que estamos adotando para melhorar a segurança da comunidade, apoiadas por vários programas federais.

Conforme destaquei no fórum Mega Polo Cubatão 2010, realizado no início do mês, nosso desafio é permitir que a cidade possa cumprir até 2020 as metas da Agenda 21 cubatense, estabelecida por parceria entre a Prefeitura e as indústrias locais. Para tanto, contamos com a participação da iniciativa privada, mas não ficamos sentados esperando: já está em curso, por exemplo, uma reformulação ampla do sistema de ensino, através do Programa de Atenção à Educação (PAE), lançado em novembro passado, que prevê um salto na qualidade de ensino, a implantação da educação em tempo integral, a valorização dos educadores, o fim do déficit de vagas em creches e a reforma de todas as nossas escolas.

Novas políticas de ordenamento do uso do solo passarão a exercer papel fundamental na superação dos problemas sociais e urbanos. O Estatuto das Cidades prevê a criação de mecanismos de cooperação entre governos, iniciativa privada e sociedade civil para lidar com distorções do crescimento desordenado que serão aplicados pela Prefeitura. Queremos aplicá-los para garantir que a demanda de áreas a serem utilizadas pelos investidores esteja subordinada à necessidade de melhorar as condições de vida dos cubatenses.

O compromisso entre o Poder Público e a iniciativa privada para a empregabilidade dos cubatenses precisa ser reforçado. Os contratos das indústrias do polo industrial com terceirizadas ou prestadoras de serviços precisam levar em conta a necessidade de contratação de mão-de-obra local. Paralelamente, também necessitamos avançar na oferta de cursos de formação profissional para nossos cidadãos. E o primeiro passo já demos, com o Pacto pelo Emprego e a reformulação do Posto de Atendimento ao Trabalhador, hoje considerado o melhor do Estado, além de ações como o Pró-Comércio e o Cartão Servidor Cidadão, destinados a fomentar o desenvolvimento econômico local e, com ele, a geração de empregos, principalmente para os grupos mais excluídos do mercado de trabalho.

O maior exemplo de que podemos reverter as injustiças sociais cubatenses é a despoluição iniciada na década de 1980, que foi reconhecida pela ONU como um exemplo internacional. Assim como nos tornamos uma cidade-símbolo da recuperação ambiental, também podemos nos tornar referência sobre a evolução de indicadores de qualidade de vida.

Artigo publicado no Jornal A Tribuna em 21 de julho de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Começa exposição itinerante sobre a qualidade do ar em Cubatão

Mostra organizada pelo Cepema, em parceria com a Prefeitura e a USP, percorrerá todas as regiões da Cidade.

Cubatão tem, há um ano, um processo de biomonitoramento da qualidade do ar, ou seja, vegetais são usados para medir os índices de contaminação atmosférica.

Cubatão, maior polo siderúrgico-petroquìmico da América Latina, possui menos concentração de ozônio e partículas inaláveis que a região metropolitana de São Paulo ou a cidade de Paulínia, que é um parque petroquímico de menores dimensões.

Cubatão já conta com uma usina termelétrica para fornecer energia ao setor industrial - principalmente a Refinaria Presidente Bernardes - movida a gás natural. Ela substitui o sistema de caldeiras movidas a óleo combustível, que é 10 vezes mais poluente.

Essas e muitas outras informações, sobre a história do desenvolvimento industrial, as conquistas ambientais e a qualidade do ar de Cubatão podem ser obtidas, desde esta sexta-feira (18), em poucos minutos, pelos cubatenses, na esplanada do Paço Municipal, no Centro. Basta, para isso, entrar em uma caixa colorida, de pouco mais de 12 metros quadrados.

Essa caixa abriga a Exposição Ambiental Qualidade do Ar, idealizada pelo Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente-Cepema, mantido na cidade pela Petrobrás e Universidade de São Paulo-USP. A implantação da mostra é feita em parceria com a Prefeitura. A exposição foi inaugurada às 11 horas, em solenidade a que compareceram autoridades locais,entre elas o vice-prefeito Arlindo Fagundes, representantes do Cepema, Petrobrás, Prefeitura e membros da comunidade.

Ao discursar, representando, no ato, a prefeita Marcia Rosa, a secretaria municipal de Cultura e Turismo, Marilda Canelas destacou a importância da mostra como instrumento de informação. "A história ambiental de Cubatão precisa ser muito lembrada e muito discutida. Nós temos orgulho dela, não só sob o aspecto da recuperação, mas porque ela permitiu que surgissem novas tecnologias de produção industrial. Provamos que, quando existe vontade política e união de todos os setores de uma cidade, é possível conter qualquer situação que pareça irreversível".

Falaram, ainda, durante ato,o coordenador do Cepema, Cláudio Augusto Oller do Nascimento, e o gerente de Saúde, Meio Ambiente e Segurança da Usina Termelétrica Euzébio Rocha, Rodrigo Sambugari.

História - A mostra possui um painel com toda a história da industrialização de Cubatão e da recuperação ambiental, obedecendo à seguinte cronologia: 1919-construção da fábrica de papel, na Fabril; 1926-inauguração da Usina Henry Borden; 1955 - instalação da Refinaria Presidente Bernardes; 1958 - instalação da Copebrás; 1963, inauguração da Cosipa; 1964- da Carbocloro; 1970, retificação do Rio Cubatão; 1972- construção do Parque Anilinas, na área da antiga fábrica Anilinas;1975- inauguração da Petrocoque; 1983- início do Programa da Recuperação Ambiental de Cubatão; 1984- incêndio da Vila Socó ( hoje Vila São José); 1985- Instituto Botânico, da USP, desenvolve o projeto de recomposição da vegetação da Serra do Mar; 1990- sancionada a lei Municipal 1861, que oficializa os parques ecológicos “ Caminho do Mar” e Itutinga-Pilões”; 1992- Cubatão recebe, da ONU, durante a Eco-92, o título de Cidade Símbolo de Recuperação Ambiental e Selo Verde; 1993- fechamento da fábrica da Rhodia, por lançamento de lixo tóxico no meio ambiente; 1997- inauguração do Parque Ecológico do Perequê; 2004- pedra fundamental do Cepem; 2005- Agenda 21; 2010 - implantação da Usina Termoelétrica Euzébio Rocha.

Biomonitoramento - Há, também, estatísticas sobre índices de contaminação atmosférica de Cubatão, em comparação com outras regiões do Estado, e mudas das plantas que têm sido usadas no projeto de biomonitoramento da qualidade do ar. São elas: tabaco, goiabeira, azevem e manacá da serra.

Itinerante - A exposição ambiental funcionará na esplanada do Paço Municipal até o dia 25. No dia 27 será instalada ma Praça Independência, no Jardim Casqueiro, onde ficará até o dia 4 de março. Depois irá para o Bolsão 8 ( 6 a 11/03), praça do Crevin, na Vila Nova ( 13 a 18/03), Rua da Farmácia, na Fabril ( 20 a 25/03) e em frente do Pamos, na Vila São José ( 27/03 a 01/04).

A exposição fica aberta das 9 às 17 horas, com monitores que orientam os visitantes. Nas laterais da caixa há aberturas que permitem visualizar toda a exposição do lado de fora.

Texto: Paulo Mota

Foto: Dílson Mato Grosso

Imágens: José Mário Alves

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