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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ex-agente da CIA relata momentos finais de Che


Félix Rodríguez entrou para a história como o agente da CIA (a agência de inteligência americana) que ajudou a capturar Che Guevara na Bolívia. Anticomunista, de origem cubana, Rodríguez também participou da invasão da Baía de Cochinos.
O ÍCONE 'CHE GUEVARA'

Nesta entrevista, concedida ao repórter da BBC José Baig, Rodríguez fala sobre as últimas horas do líder revolucionário.
BBC - Como foi o seu primeiro encontro com Che, após a sua captura? Félix Rodríguez -
O primeiro encontro foi quando eu acompanhei o coronel boliviano Joaquín Centeno, como assessor, até o local onde Che estava. Ele viu Che, que estava deitado, com as mãos e os pés amarrados, ficou olhando para ele e disse: "Che Guevara, venho falar com você". Ele (Che) então olhou para mim do chão e me disse, de forma arrogante: "A mim não se interroga". Eu, em seguida, lhe disse: "Comandante, eu não vim interrogá-lo. Nossas idéias são diferentes, mas eu o admiro. O senhor está aqui porque crê em seus ideais, ainda que para mim eles estejam equivocados. Eu vim conversar com o senhor". Che ficou me olhando por um tempo, para ver se eu estava rindo. Quando viu que eu estava sério, me disse: "Pode soltar as amarras? Posso me sentar?". Chamei um soldado que estava fora e disse: "Por favor, tire as amarras do comandante Guevara". Então começamos a conversar sobre diferentes assuntos. É claro que, quando eu tocava em assuntos de interesse tático para nós, ele sorria para mim e dizia: "O senhor sabe que não posso responder isso".
BBC - Por que esse respeito que o senhor demonstra pelo inimigo? Rodríguez -
Olha, quando cheguei, meus sentimentos eram mistos. Primeiro, sabia que ele havia sido uma pessoa extremamente cruel. Há histórias de que, quando estava na Sierra Maestra, fuzilou um menino de 15 anos porque ele havia roubado uma lata de leite condensado. Por outro lado, quando olhava para aquele homem, que eu recordava ter visto quando visitava Moscou ou quando visitava Mao Zedong na China comunista, aquele homem arrogante e alto, eu o via na forma em que estava: um homem destruído, parecia um mendigo, quase não tinha uniforme. Não tinha botas, tinha uns pedaços de couro amarrados aos pés. Realmente senti pena. E há de se respeitar um soldado que se comportou com decência antes de morrer.
BBC - O que aconteceu entre o momento em que o senhor terminou a sua conversa com Che Guevara e o momento em que ele foi fuzilado?Rodríguez -
Eu entrei e saí várias vezes para conversar com ele. Houve um momento em que me chamaram e disseram: "Querem falar por telefone com o militar de mais alto escalão. Ordens superiores: 500-600". Nós havíamos estabelecido um código muito simples: 500 era Che Guevara, 600 morto, 700 vivo. Pedi que repetissem outra vez, e me confirmaram: "500-600". Logo depois, voltou o coronel Centeno, que estava à frente das operações. Chamei-o em separado e lhe disse: "Coronel, há ordens do seu governo de eliminar o prisioneiro. Agora, a ordem do meu governo é tentar mantê-lo vivo a todo custo. Nós temos aviões, helicópteros disponíveis para levá-lo ao Panamá para interrogatório".
BBC - Ou seja, não iam matá-lo? Rodríguez -
Creio que o interesse do nosso governo era porque eles sabiam das divergências entre Che Guevara e Fidel Castro, pelo seu alinhamento com a China comunista, e pensavam que, eventualmente, ele ia cooperar. Mas o coronel me disse: "Sabemos que temos trabalhado com você, agradecemos muito a sua ajuda (...), mas são ordens do senhor presidente, o senhor comandante das forças armadas. Se eu não cumprir, sou posto para fora".O coronel olhou para seu relógio e me disse: "Você tem até as 14h para interrogá-lo. Quero a sua palavra de cavalheiro de que, às 14h, você me trará o cadáver de Che Guevara. E pode executá-lo da maneira que quiser, porque sabemos dos danos que ele causou a sua pátria".Então eu disse: "Coronel, tente fazê-los mudar de idéia, porque é importante. Mas, caso não haja uma contra-ordem, eu lhe dou a minha palavra que trarei o cadáver de Che".
BBC - O que aconteceu depois? Rodríguez -
Comecei a esperar para ver o que acontecia. Por volta das 12h30, chegou uma pessoa, uma mulher com um rádio portátil nas mãos, e me perguntou: "Capitão, capitão! Quando vão matá-lo?". Eu respondi: "Senhora, por que diz isso?". E ela me mostrou o rádio e disse: "No rádio estão dizendo que ele já morreu dos ferimentos em combate".Quando ela me disse isso, eu já sabia que não havia uma contra-ordem, sabia que a decisão final já havia sido tomada pelo governo boliviano. Entrei na peça onde Che estava sentado, parei na sua frente e disse: "Comandante, sinto muito. Eu tentei, mas são ordens superiores".Ele entendeu perfeitamente o que eu estava dizendo. Ficou branco como papel. Nunca vi uma pessoa perder a expressão do rosto como ele perdeu. Mas ele me disse: "É melhor assim, eu nunca deveria ter sido capturado vivo".
BBC - O senhor disse mais alguma coisa? Rodríguez -
Eu falei que poderia entregar uma mensagem para sua família, se ele quisesse mandar alguma mensagem. Ele disse, de forma sarcástica: "Bom, se você puder, diga a Fidel Castro que logo verá uma revolução triunfante na América". Logo depois ele mudou de expressão e me disse: "E, se puder, diga a minha mulher que se case outra vez e que trate de ser feliz".Foram suas últimas palavras. Me deu a mão, me abraçou, e parou, atento, pensando que fosse eu que iria atirar. Eu saí do local, que estava cheio de soldados. Lá estava o sargento Mario Terán.
BBC - O senhor falou com Terán? Rodríguez -
Eu disse: "Sargento, há ordens do seu governo para eliminar o prisioneiro. Não atire daqui para cima, atire para baixo, para que se pense que foram ferimentos de combate. Morreu dos ferimentos de combate". Terán respondeu: "Sim, capitão".E saí de lá às 13h. Entre 13h10 e 13h20, ouviu-se a rajada de tiros. Depois, me contaram que, quando ele (Terán) entrou, disse: "Che, venho falar com você". E Che respondeu: "Não seja filho-da-puta, sei que você veio me matar. Mas quero que saiba que vai matar um homem".E então ele (Terán) atirou com uma carabina M2 automática.
BBC - E depois, o senhor cumpriu a promessa de entregar o cadáver de Che às autoridades da Bolívia? Rodríguez -
Bom, logo depois chegaram o capitão Gary Prado e o capitão Celso Torrelio, e nós entramos os três no quarto onde estava Che. O cadáver estava com o rosto sujo de lama, provavelmente se sujou ao cair no chão, que era de terra, de lama, úmido. Então um deles disse: "Acabamos com as guerrilhas da América Latina".E eu disse: "Capitão, se não acabamos com elas, pelo menos conseguimos atrasá-las por muito tempo

FOTO VENDE DE SORVETE A CIGARRO
BIOGRAFIAS EXPÕEM 'LADO NEGRO'
CHE 'ESTARIA FELIZ', DIZ GENERAL
ORGULHO DE SER FILHA DE 'CHE'
IMAGENS DA LA HIGUERA ATUAL
Matéria Publicada no Portal Uol e reproduzida na integra.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Che Guevara, O herói sem Farsa

CHE

Como pode? Um jornalista americano renomado internacionalmente como John Lee Anderson perder cinco anos de sua vida para escrever a biografia de uma farsa, como diz a revista Veja? O jornalista escritor mexicano Paco Ignácio Taibo perder seu tempo escrevendo dois livros sobre esta mesma farsa? Jorge Castaneda, Michael Lowi, Ricardo Rojo, Jay Cantor etc.E como pode esta mesma farsa receber homenagens de nomes como José Saramago (Premio Nobel de literatura), Eduardo Galeano, Sartre, Paulo Freire, etc... Ser lembrado em músicas, manifestações, avançar no peito do rebelde que luta por um mundo melhor, sem Bush, sem Iraque, sem imperialismo.E como pode uma farsa discursar por longos minutos no plenário da ONU, e sair de lá livremente depois de ter mostrado ao mundo os desmandos e as injustiças cometidas pelo imperialismo no decorrer da história,como Hiroshima, Nagasaki, My Lay, etc...Uma farsa não sobrevive 40 anos, sendo lembrado nos quatro cantos do mundo, um herói sobrevive do exemplo, da renuncia, da força, da sinceridade, da moral, da doação, da firmeza, da liderança, do amor.Não há porque defender Guevara se a roda da história com seus registros são sua própria defesa, revista nenhuma (se é que se pode chamar de revista) deturpará a imagem daquele que nasceu na ARGENTINA,lutou para livrar CUBA das garras do imperialismo e morreu na BOLÌVIA, cortaram suas mãos, esconderam o corpo, mas não podem esconder a história.

SEJAMOS COMO CHE

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Percival de Souza na Unisantos




O jornalista investigativo e escritor Percival de Souza (TV Record) estará no próximo sábado, dia 6 de outubro, no Centro de Ciências da Comunicação e Artes (CCA) da UNISANTOS para a palestra "Jornalismo Policial". Percival é autor dos livros "Narcoditadura", "Autópsia do Medo", "O crime da Rua Cuba" e "Sindicato do Crime - PCC e outros grupos". Os jornalistas Eduardo Veloso (A Tribuna) e Márcio Harrison (Rádio Cultura e Jornal Popular) também participam do debate, que abordará a cobertura polícial na mídia. O evento, aberto ao público em geral, é uma parceria entre o CCA e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo. A palestra acontece no auditório C às 14 horas.


Atenciosamente,

Prof. Paulo Bornsen

sábado, 29 de setembro de 2007

Desabrigados da Vila Esperança precisam de ajuda

Doação de Material de higiene pessoal e móveis são prioridades para as vítimas

Dois dias após a um incêndio na Vila Esperança em Cubatão, causado por um “acidente” ainda não explicado, os desabrigados estão alojados de forma muito precária numa quadra de esportes nas dependências da Escola de Ensino Médio D. Pedro I. Colchões pelo chão, lençóis simulando divisórias, móveis e eletrodomésticos que foram salvos do incêndio amontoados, alguns aparelhos de TV ligados para detrair um pouco a tensão, crianças brincando sem ter sequer a noção do ocorrido e perguntando aos pais quando vão voltar para casa.
Num outro local foi montada uma mesa de tênis de mesa na qual alguns meninos brincam com o auxilio de uma bola de borracha e um par de chinelos servindo de raquete e uma madeira simulando uma rede. Dois banheiros sendo um masculino e outro feminino cada um com apenas um chuveiro, este é o quadro na manhã deste sábado após 48 horas da tragédia. As famílias estão recebendo três refeições diárias enviadas pela cozinha municipal, além das mamadeiras que são feitas pelas merendeiras da escola.
Uma apreensão assola as vítimas por não saberem quais serão as providências que o poder público irá tomar nas próximas horas. A Prefeitura apresentou uma saída emergencial para as famílias, porém foi descartada pelos desabrigados, por unanimidade, pois as autoridades queriam transferir todos para o ginásio de Esportes “PITA” com a alegação de que as aulas teriam que voltar na próxima segunda feira. A proposta não foi aceita, pois segundo as vitimas esta ação poderia deixar as autoridades acomodada e as soluções iriam demorar mais, e se ficassem na escola a pressão seria maior e as providências chegariam mais rápido.
Segundo informação do secretário de Ação Social, Sebastião Carlos Henrique Silva será montado um alojamento provisório num terreno próximo ao local atingido pelo fogo. “Lá teremos melhores condições para abrigar a todos de forma mais decente”. Ainda segundo o secretário os barracos que não foram totalmente atingidos e os que precisaram ser demolidos para facilitar a passagem dos bombeiros, serão avaliados por uma comissão da secretaria de obras que podem ou não receber as reformas.
Segundo a diretora de assistência social Simone Lopes foram atingidos pelo fogo 77 barracos onde moravam 121 famílias sendo 203 adultos e 147 crianças num total de 340 pessoas. De acordo com a diretora a maior necessidade é a de produtos de higiene pessoal, fraldas e toalhas de banho. “Estamos recebendo muitas doações de todas as cidades da região, existe uma grande mobilização de sociedade civil, só falta a participação das industrias que até agora não nos enviaram nada”, afirmou Simone.
O metalúrgico, Denilton Vieira, pai de duas crianças sendo um menino de seis anos e uma menina de oito e, ainda, uma que vai nascer mês que vem, se sente abandonado, pois a empresa que trabalha nem sequer o procurou para saber se precisava de ajuda. “ Ficamos somente com a roupa do corpo, minha esposa está grávida, não temos nem documentos e agora só nos resta esperar para ver o que vai acontecer”, desabafa.
O soldador Lucas Carvalho, casado e pai de um casal de crianças sendo um de 8 meses e uma menina de cinco anos, conta que no dia do incêndio tinha saído para fazer os exames médicos para trabalhar numa empresa do Guarujá e agora espera que tenha dado tudo certo para iniciar na empresa ainda na próxima semana e assim tentar reconstruir tudo o que tinha e se perdeu.
Doações- As doações de produtos de higiene pessoal podem ser entregues no próprio local do alojamento na Escola D. Pedro I na Vila Natal, já móveis, eletrodomésticos devem ser agendados a retirada pelos telefones: 3361-6874 ou 3372-8132.


José Mário Alves Silva

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Jornalismo Participativo, demoratização da notícia

O jornalismo participativo é algo que tem seu lado bom e ruim. O que pode ser de ruim nesta forma de informação é a falta credibilidade na fonte de informação, pois quando qualquer pessoa pode escrever e divulgar notícias que não tem um filtro, corre-se o risco de informações falsa de pessoas irresponsáveis que não tem compromisso com a verdade e isso dará um descrédito no”jornalista” que postou a matéria.

Por outro lado jornalistas sérios com credibilidade tem no jornalismo participativo uma ferramenta que traz velocidade nas informações e pode fazer com que as notícias cheguem no leitor de uma forma mais democrática e rápida. A seriedade nas matérias darão a credibilidade necessária ao repórter on-line e com certeza a audiência conquistada servira para que esta fonte seja utilizada como fonte de referência para pautar outras mídias.

Na minha opinião todo o jornalismo deveria ser participativo, independente de ser on-line ou off-line. Porém na prática não é assim, no on-line até é possível, mas no off-line que é muito conservador e dificilmente existe a liberdade de expressão, ainda existe a exigência do diploma de jornalista para que se possa assinar textos jornalísticos e isso acaba cerceando a liberdade na construção de textos para jornais.
O bom jornalista, que faz do seu trabalho uma ferramenta de divulgação de matérias e investigações que tem o compromisso com a verdade, este profissional pode sim pode ter uma atuação brilhante no jornalismo participativo. Ele pode e deve se beneficiar, pois como disse anteriormente ele será uma fonte muito rica para pautar outras mídias.



José Mário Alves Silva